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Muito mais do que 20 centavos

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Vou contar uma História que me aconteceu numa tarde de fevereiro desse ano. Deus me deu 0,20. Sim, vinte centavos. Foi quando fui comprar dois pacotinhos de sementes no mercantil (pela segunda vez, porque na primeira nenhuma sobreviveu). Cada pacotinho custou 3,00.  Tinha uma nota de 10 reais, mas ainda assim peguei uma garrafa de desinfetante de lavanda, que custava 4,20. Não sei o que deu na minha cabeça, mas no caminho, das prateleiras até o caixa eu bolei que quando chegasse a minha vez de passar as compras,  eu diria "Ah, nem vou poder levar tudo, falta vinte centavos." Quem sabe a moça do caixa não morderia a isca e deixaria pelos 10,00 mesmo? Também pensei na possibilidade de simplesmente disistir do desinfetante e colocar num carrinho que tinha lá perto. Eram bons planos. Só que Deus tinha um plano bem melhor. Não desisti do desinfetante, passei tudo no caixa (com a cara mais lisa do mundo). Eis que a moça do caixa me informou: "Moça, o desinfetante...

Obrigada ♡

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Nasci de uma cesariana, numa madrugada fria e chuvosa de um domingo.  Entre a fecundação e os dias de hoje, apenas três dias me distanciaram da minha mãe. Vim quase prematura e a minha mãe quase pré eclampsia, então os três dias foram necessários para que estivéssemos prontas para adentrarmos de vez na vida uma da outra. Ela foi muito forte. Eu não sou mãe, mas hoje sendo mulher adulta a um bom tempo, posso compreender melhor a força de uma. A vinda para casa estava certa: Meu tio dirigindo, minha tia ao lado dele no banco da frente, meu pai, minha mãe e eu no banco de trás. Mas o fusquinha azul parou ainda no início do caminho, deu prego, pifou! O ponto de ônibus estava próximo, assim como o fim da tarde, que já se via sorrindo uma lua crescente. Pela providência divina, logo surgiu um ônibus da empresa vitória. O motorista fora avisado que embarcaria com uma mulher puérpera e um neonato. Minha tia me pegou no colo, enquanto minha mãe subia as escadas devagar. E eu via...

Camomilagre

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Na pandemia, eu tive um vasinho florido de camomila, que comprei e cultivava com muito carinho. Amava afundar o nariz nas florinhas para cheirar de olhos fechados, sonhando que estava em um campo de camomila, cercada por milhares delas. Era uma jardineira muito apaixonada e acho que por isso, reguei demais, toquei demais, cheirei demais... Chegou um tempo que parou de florescer e morreu. Não fiquei triste, a guardei no meu coração e continuei cultivando outras plantinhas. Nesse tempo me encantei pela resistente ixora chinesa vermelha. E tenho até hoje. Penso que é porque a plantei em terra firme, lá nos fundos do quintal, e ela cresceu, espalhou, vive florida. Não sei porque deixei a camomila num vaso (e ainda insisto nisso). Mas quero ditar aqui o processo de uma experiência de plantação que eu tive nos primeiros meses desse ano. E screvi na minha agenda: Dia 7 de janeiro "Quase troquei as sementes, mas a essência de maçã verde da camom...

O Castelo Azul, da Lucy Maud Montgomery

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Reli O Castelo Azul pela terceira vez. Agora com o blog reativado, tive vontade de escrever sobre ele e sobre como me sinto lendo ele. Mas como posso escrever coerentemente sobre um dos meus livros favoritos? Garanto que não farei uma resenha. Como uma fã, farei um relato visceral.  Amar esse livro é pouco. Ele me sequestra e m e toma para si. Me sinto Valancy Snaith por dias. Descrito como o livro mais maduro da autora, ele carrega a dor, o sofrimento e o peso que as histórias da Anne Shirley não tem, mas em contrapartida, descreve o encanto do mistério e da magia etérea dos bosques mil vezes mais e melhor do que em toda a saga de Avonlea (se é que isso é possível). Há quem deteste as páginas inteiras dedicadas aos detalhes minuciosos das flores, folhas, pássaros, céu... Mas eu sou apaixonada e me deleito com cada linha. Por morar num lugar com estações indefinidas, minha mente e alma anseiam por detalhes de cada uma delas. E esse livro é rico em poéticas narra...

Dinossauros

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Na infância, eu sonhava pura e livremente, como qualquer criança faz. Queria ser bailarina (ainda quero), cantar numa banda, viajar pelo mundo, voar de paraquedas, casar e ter filhos... Os sonhos foram passando por um tipo de esteira, sendo moldados pela minha personalidade. A maioria deles se perdeu e alguns não passaram nas últimas etapas. É natural que seja assim. Isso faz parte de amadurecer. Somente um se transformou em uma pequena semente. Não depende de mim, do tempo e nem da minha vivência, porque vem de uma árvore com raízes profundas que não está plantada aqui na Terra.  É a exceção. Acontece que com o tempo, a realidade engoliu a minha capacidade em sonhar fora dela. Os meus sonhos estavam confinados dentro da caixinha das minhas possibilidades, sendo espetados por alfinetes e agulhas. Vivia dizendo que não queria sair do lugar onde moro, que não queria conhecer outros países, nem mesmo outros estados. Não tentei estudar o curso que eu quis, porque naquela ép...

Jardim secreto

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Desenho que eu fiz sobre o livro O Jardim Secreto, mas o texto não é sobre ele. As coisas tendem a mudar de uma hora para outra, da noite para o dia.  Nem sempre em definitivo, mas as novidades costumam se encolher dentro de mim, até ficarem invisíveis. As coisas antigas são como roupa usada, macia, com cheiro familiar, que eu visto e sinto conforto, embora tenha buracos e bolinhas. Minhas memórias são como uma placa de "PARE" no caminho, para que eu não me jogue na insensatez e não caia em precipício. Quero estar no jardim secreto, onde tudo desabrocha e ninguém diz que "nem tudo são flores." Lá é sempre hoje, nunca há lembranças dolorosas nem ansiedade pelo que ainda não chegou, porque é no presente que as coisas acontecem. Nele o peito não aperta, a alma não se angustia, nem a boca lamenta. Quero ficar no jardim secreto, porque ele não é uma ilusão. É o esconderijo do meu coração. 

Listinha de pequenos prazeres

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✨️ Acordar de madrugada e ver a minha gatinha dormindo no meu pé na minha cama ✨️ Desenhar com giz macio, que desliza no papel e não dói a mão  ✨️ Comer pipoca assistindo um filme saturado da sessão da tarde ✨️ Ouvir rádio quando fico sem internet (ou não - e encontrar um programa de flashback) ✨️ Colher florzinha no caminho (e colocar para secar numa folha do meu caderno) ✨️ Lavar as roupas, colocar para secar e ficar sentindo o cheirinho bom de sabão e amaciante ✨️ Reencontrar uma música que eu já ouvi em looping infinito em outra época  ✨️ Procurar pela tradução de uma música e descobrir que ela faz sentido ✨️ Ouvir o quarteto fantástico da Roxette ( It must have been love, Spending my time,  Fading like a flower e Listen to your heart ) ✨️ Ver os passarinhos voltando para os galhos no fim do dia ✨️ Dormir enquanto rezo o Terço  ✨️ Tomar sorvete de creme com passas (amo morder as passas) ✨️ fazer um bolo aromático (com canela e banana/maçã) e comer um pedaço quen...

A essência da beleza

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Tenho reparado na pontualidade da primavera. Ela  não atrasa. Chega sempre no momento certo. Talvez seja ela a estação mais forte de todas. E digo isso porque aqui no Ceará a estação chuvosa é o verão e quando passa, já é o inverno no Brasil. Porém é na primavera que eu noto que tudo está alinhado. Floresce lá, floresce aqui. A estação gentil, bonita e delicada é a mais forte porque ela vence as diferenças.  Estou amando caminhar pelas ruas e ver tudo florindo. Hoje no caminho da igreja, parei para tirar foto com um ipê. Nunca mais tinha feito isso, fotografar o look do dia pensando no blog. E de repente isso me fez um bem, sabe. Essa blusa tem um desenho tão lindo de uma borboleta, mas também contém uma mensagem belíssima: Sinal da transformação do ciclo da vida. BORBOLETA.  A borboleta é considerada o símbolo da transformação, da felicidade, da beleza, da inconstância, da efemeridade da natureza e da renovação. Pesquisei s...

O Porquinho Gentil ♡

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Remexi o baú das coisas simples e puras e encontrei o dvd do filme Babe O Porquinho Atrapalhado . Foi só dar o play, que o meu quarto se transformou num cinema aconchegante. Podia sentir até o aroma de chá de hortelã quentinho com biscoitos amanteigados de maizena. Até os raios de sol dourados, que vinham deslizando do basculante da janela, queriam assistir comigo a história desse adorável porquinho. Digo que esse é o meu filme favorito, porque foi um dos primeiros filmes que eu assisti na vida, ainda em fita vhs, e dele trago memórias tão queridas. Esse filme revela uma melancolia tão bela, que faz com que corações pequeninos compreendam, de alguma forma, que a gente pode ser feliz mesmo quando coisas tristes acontecem com a gente e que não podemos ter medo de ser quem nós somos verdadeiramente.  A minha cena favorita é quando o senhor Hoggett, o dono do porco, canta e dança para motivá-lo, após uma crise de desânimo.  "Quero lhe dar o dia mais feliz Cantar as manhãs d ourada...

Aquilo que eu posso romantizar

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Bem nos primordios desse blog, eu já tinha essa percepção, mas não sabia qual era o caminho do sol para trilhar, c omo eu ia me livrar daquele elefante que morava nos meus sentimentos e muito menos como expressar o que essa coisa tão latente queria dizer. Achei aqui nos meus arquivos um post com o título  "Quando é preciso desromantizar". Era dolorido e inflamado, porque eu sentia a pancada da desilusão dos desencontros e estava ferida por notar que ninguém tinha a obrigação de ser recíproco comigo (em algum momento todo mundo leva essa chinelada). Com pensamentos mais maduros e o coração mais manso, volto os meus olhos e a minha sensibilidade para o universo e fico sempre atenta à obra de arte de Deus, que é o romance mais belo e real, o amor que nunca decepciona. Apesar de acreditar fielmente no amor humano, o meu romantismo já não pode depender de idealizar alguém. Ele sobreviveu e renasceu com o olhar direcionado à contemplação daquilo que tenho a minha di...