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Mostrando postagens de outubro, 2026

Muito mais do que 20 centavos

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Vou contar uma História que me aconteceu numa tarde de fevereiro desse ano. Deus me deu 0,20. Sim, vinte centavos. Foi quando fui comprar dois pacotinhos de sementes no mercantil (pela segunda vez, porque na primeira nenhuma sobreviveu). Cada pacotinho custou 3,00.  Tinha uma nota de 10 reais, mas ainda assim peguei uma garrafa de desinfetante de lavanda, que custava 4,20. Não sei o que deu na minha cabeça, mas no caminho, das prateleiras até o caixa eu bolei que quando chegasse a minha vez de passar as compras,  eu diria "Ah, nem vou poder levar tudo, falta vinte centavos." Quem sabe a moça do caixa não morderia a isca e deixaria pelos 10,00 mesmo? Também pensei na possibilidade de simplesmente disistir do desinfetante e colocar num carrinho que tinha lá perto. Eram bons planos. Só que Deus tinha um plano bem melhor. Não desisti do desinfetante, passei tudo no caixa (com a cara mais lisa do mundo). Eis que a moça do caixa me informou: "Moça, o desinfetante...

Obrigada ♡

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Nasci de uma cesariana, numa madrugada fria e chuvosa de um domingo.  Entre a fecundação e os dias de hoje, apenas três dias me distanciaram da minha mãe. Vim quase prematura e a minha mãe quase pré eclampsia, então os três dias foram necessários para que estivéssemos prontas para adentrarmos de vez na vida uma da outra. Ela foi muito forte. Eu não sou mãe, mas hoje sendo mulher adulta a um bom tempo, posso compreender melhor a força de uma. A vinda para casa estava certa: Meu tio dirigindo, minha tia ao lado dele no banco da frente, meu pai, minha mãe e eu no banco de trás. Mas o fusquinha azul parou ainda no início do caminho, deu prego, pifou! O ponto de ônibus estava próximo, assim como o fim da tarde, que já se via sorrindo uma lua crescente. Pela providência divina, logo surgiu um ônibus da empresa vitória. O motorista fora avisado que embarcaria com uma mulher puérpera e um neonato. Minha tia me pegou no colo, enquanto minha mãe subia as escadas devagar. E eu via...

Camomilagre

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Na pandemia, eu tive um vasinho florido de camomila, que comprei e cultivava com muito carinho. Amava afundar o nariz nas florinhas para cheirar de olhos fechados, sonhando que estava em um campo de camomila, cercada por milhares delas. Era uma jardineira muito apaixonada e acho que por isso, reguei demais, toquei demais, cheirei demais... Chegou um tempo que parou de florescer e morreu. Não fiquei triste, a guardei no meu coração e continuei cultivando outras plantinhas. Nesse tempo me encantei pela resistente ixora chinesa vermelha. E tenho até hoje. Penso que é porque a plantei em terra firme, lá nos fundos do quintal, e ela cresceu, espalhou, vive florida. Não sei porque deixei a camomila num vaso (e ainda insisto nisso). Mas quero ditar aqui o processo de uma experiência de plantação que eu tive nos primeiros meses desse ano. E screvi na minha agenda: Dia 7 de janeiro "Quase troquei as sementes, mas a essência de maçã verde da camom...

O Castelo Azul, da Lucy Maud Montgomery

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Reli O Castelo Azul pela terceira vez. Agora com o blog reativado, tive vontade de escrever sobre ele e sobre como me sinto lendo ele. Mas como posso escrever coerentemente sobre um dos meus livros favoritos? Garanto que não farei uma resenha. Como uma fã, farei um relato visceral.  Amar esse livro é pouco. Ele me sequestra e m e toma para si. Me sinto Valancy Snaith por dias. Descrito como o livro mais maduro da autora, ele carrega a dor, o sofrimento e o peso que as histórias da Anne Shirley não tem, mas em contrapartida, descreve o encanto do mistério e da magia etérea dos bosques mil vezes mais e melhor do que em toda a saga de Avonlea (se é que isso é possível). Há quem deteste as páginas inteiras dedicadas aos detalhes minuciosos das flores, folhas, pássaros, céu... Mas eu sou apaixonada e me deleito com cada linha. Por morar num lugar com estações indefinidas, minha mente e alma anseiam por detalhes de cada uma delas. E esse livro é rico em poéticas narra...

Dinossauros

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Na infância, eu sonhava pura e livremente, como qualquer criança faz. Queria ser bailarina (ainda quero), cantar numa banda, viajar pelo mundo, voar de paraquedas, casar e ter filhos... Os sonhos foram passando por um tipo de esteira, sendo moldados pela minha personalidade. A maioria deles se perdeu e alguns não passaram nas últimas etapas. É natural que seja assim. Isso faz parte de amadurecer. Somente um se transformou em uma pequena semente. Não depende de mim, do tempo e nem da minha vivência, porque vem de uma árvore com raízes profundas que não está plantada aqui na Terra.  É a exceção. Acontece que com o tempo, a realidade engoliu a minha capacidade em sonhar fora dela. Os meus sonhos estavam confinados dentro da caixinha das minhas possibilidades, sendo espetados por alfinetes e agulhas. Vivia dizendo que não queria sair do lugar onde moro, que não queria conhecer outros países, nem mesmo outros estados. Não tentei estudar o curso que eu quis, porque naquela ép...