Eu sempre me perguntei o motivo de gostar tanto dessa cena do parque no filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain . Então eu parei para ler a sutileza de cada movimento, o tempo da respiração da Amélie, os olhos que piscam lenta e demoradamente. É uma cena quase muda, em que se ouve apenas leves grunidos, que deveriam ser de aterrorizar; suspiros suaves, que deveriam ser gritos de susto e pavor, e as rodinhas do carrinho do trem fantasma deslizando, alheias a todo o encantamento do ambiente. Amélie deixa apaixonar-se num instante. Ela já conhecia o Nino pelo que ele gostava. Estava em posse de um álbum que pertencia a ele e bolou um plano bem bolado, daqueles com roteiro e coragem, apenas na esperança de encontrar com ele. Mesmo sem se dar conta, ela vai seguindo pelo caminho direto do coração dele. Nino chega bem devagar, e observa como se ali estivesse uma rara flor e nela repousa uma borboleta azul. E então ele toca a nuca de Amélie, em um movimento quase que imperceptível...
Que encanto de poesia, Samara. Tuas palavras são belas :)
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